O prazer feminino adormecido
- Bhogananda

- 15 de jul.
- 4 min de leitura
O prazer que esquecemos de sentir
Há uma pergunta que faço com frequência às mulheres que chegam até mim: quando foi a última vez que sentiste prazer só por senti-lo, sem que ele estivesse ligado a agradar alguém, a cumprir uma expectativa, ou a chegar a um objetivo?
A maioria das mulheres fica em silêncio por uns segundos, e eu vejo-as a pensar e reflectir nas suas interações. Elas param nesse momento mas não é porque não saibam a resposta; é porque a resposta é, na verdade, desconfortável. Foi há muito tempo... ou talvez nunca.
Nós crescemos a aprender a gerir o nosso corpo como quem gere uma agenda. Fazemos exercício para emagrecer (porque o mundo nos pede), não necessariamente para sentir a força e vitalidade que vive em nós. Cuidamos da pele para parecer mais jovens, mas não para honrar o órgão que nos protege e nos liga ao mundo através do toque. E o prazer, esse território que devia ser tão nosso quanto a respiração, que devia estar constantemente vivo, foi arrumado numa gaveta com um rótulo de "depois", ou pior, com um rótulo de vergonha, inibição, trauma.
Sei que talvez estejas a ler isto e a pensar que a tua vida está cheia, que não tens tempo para mais uma coisa para "trabalhar" em ti mesma. Fair enough. Mas o que proponho não é mais uma tarefa para fazeres. É o oposto: é parares de trabalhar tanto para seres aceite e começares a sentir o que já é teu por direito - o teu prazer. E acredita em mim quando te digo que para o sentires, não precisas de nenhum tipo de esforço, visto que ele já habita dentro de ti.

Porque o corpo não perde o prazer... apenas o esquece
O prazer feminino não desaparece de dentro de nós, ele apenas adormece. Fica guardado debaixo de camadas do cansaço, da responsabilidade, dos stresses do dia a dia, das mensagens antigas que ouvimos sobre o que é ser "uma boa mulher" e o que é ser "demasiado". Demasiado sensível, demasiado sensual, demasiado desejosa, demasiado presente no próprio corpo.
Trabalho há mais de uma década com mulheres que, à superfície, têm tudo organizado: a vida perfeita. Carreiras, trabalhos, famílias, casas bonitas, relações. E que, no entanto, quando fecham os olhos e tentam sentir o próprio corpo, sem pressa, com consciência, com amor verdadeiro, com prazer e sensualidade, encontram um silêncio estranho. Encontram um desconforto impossível de abraçar. Como se tivessem passado anos a viver ao lado de si mesmas, em vez de dentro de si mesmas. O verdadeiro contacto com elas próprias - e com o seu prazer - desapareceu por completo.
É importante saber que esse silêncio não é algo que tem de ser definitivo. Depende sempre de nós. O corpo tem uma memória generosa, e basta voltarmos a dar-lhe atenção, com paciência e sem julgamento, para que ele comece, devagar, a falar connosco outra vez.
O erotismo feminino é sobre estar viva
Uma das confusões mais comuns que encontro é achar que o prazer e erotismo feminino é sinónimo de sexo. Não é. O erotismo é a capacidade de sentir a vida a atravessar o corpo, de sentir o prazer de viver. É o calor do sol na pele, a leitura de um bom livro, umas cerejas tiradas do frigorífico num dia de verão. É o prazer de comer devagar, é a respiração que se aprofunda quando finalmente paramos de correr contra o relógio. É também, claro, a intimidade e o desejo, mas esses são apenas uma parte de um território muito maior.
Quando uma mulher reencontra o seu erotismo, não está a tornar-se mais sexual. Está a tornar-se mais presente, mais sensual, mais prazerosa. E essa presença muda tudo à sua volta: a forma como fala, como ocupa espaço, como se relaciona com quem ama, como toma decisões.
Reaprender a sentir não é uma fraqueza tua





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